Difícil não ficar ligado com a notícia de Meredith Ostrom, uma americana de 32 anos que pinta quadros com o corpo nu. É dessas sacadas mais excitantes do que qualquer grande produção da indústria pornográfica. Talvez a provocação da pintura seja ainda maior do que a nudez.
Vou além da loirinha americana para falar sobre a atração que uma mulher causa com o pincel em punho. Mesmo que seja uma obra convencional, é verdadeiramente erótica. Pensar nisso é um agradável exercício para a imaginação, acredite. Afrodisíaco sutil, melhor do que qualquer imagem de sexo óbvio e mecanizado. Resultado de um atrito entre imaginação, arte e corpo.
A devoção e a concentração da moça ao preencher a tela virgem mostram que mãos e mente estão em sintonia. São capazes de controlar ego e certezas do rapaz. Dominar como mulher, ter o controle sem tentar ser homem. Domesticar discretamente, provar a superioridade feminina.
Quero ser sempre um voyeur das artes, já que não consigo desenhar uma linha. Antes da obra pronta, imaginar a moça em ação, apreciar o sexo entre artista e obra. Porque para ter coragem de ser artista, é preciso o tesão verdadeiro. Mesmo que ele dure apenas dois anos até dar lugar a outro motivo de satisfação.